Segundo imprensa italiana, Francesco Schettino foi libertado durante a noite e levado à sua residência em Meta di Sorrento
iG São Paulo
O comandante do navio Costa Concordia, cujo naufrágio na sexta-feira deixou 11 mortos, foi libertado da prisão onde estava detido preventivamente durante a noite e levado a Meta di Sorrento, no sul da Itália, onde cumprirá prisão domiciliar, informou a imprensa italiana nesta quarta-feira.

Foto: AP
Foto tirada em 14 de janeiro e divulgada nesta quarta-feira mostra
Francesco Schettino
O capitão Francesco Schettino, acusado de homicídio culposo múltiplo, imprudência e abandono de navio, foi detido no sábado pelo procurador de Grosseto, Francesco Verusio. Segundo os jornais italianos, ele chegou à sua casa em Meta di Sorrento por volta das 2h no horário local (23h em Brasília) e foi escoltado por policiais.
Schettino entrou em seu domicílio por uma passagem secundária, para evitar os fotógrafos e repórteres que aguardavam sua chegada. Segundo o jornal Corriere della Sera, ele estava acompanhado de sua esposa, Fabiola Russo, e de seu irmão.
Também nesta quarta-feira, as equipes de resgate que trabalham para encontrar os 24 desaparecidos suspenderam suas operaçõesdevido a um movimento feito pela embarcação, que está assentada em rochas.
Uma juíza italiana decretou na terça-feira prisão domiciliar contra o capitão do navio Costa Concordia, Francesco Schettino. Ele é acusado de homicídio culposo múltiplo (sem intenção de matar), naufrágio e abandono do navio, crimes pelos quais pode ser condenado a até 15 anos.
A decisão da juíza do Tribunal de Grossetto, Valéria Montesarchio foi tomada após três horas de interrogatório no qual, de acordo com o advogado de Schettino, o capitão manteve sua inocência. "Ele defendeu seu papel na direção do navio depois da colisão, o que, em sua opinião, salvou centenas, senão milhares de vidas", disse o seu advogado, Bruno Leporatti.
Ele reiterou que não abandonou o navio após o tombamento. Em seu depoimento, segundo o jornal italiano Corriere della Sera, Schettino afirmou que foi lançado ao mar em algum momento depois do choque e não conseguiu voltar à embarcação pelo fato de ela ter ficado em um ângulo de 90º após a colisão.
O depoimento do comandante ocorreu no mesmo dia em que foram reveladas gravações da caixa preta do navio e de ligações telefônicas obtidas pela imprensa italiana que indicam que ele teria ignorado uma ordem da guarda costeira italiana para retornar ao navio e coordenar a retirada dos passageiros e tripulantes.
De acordo com os relatos publicados pela imprensa italiana, em uma conversa com a guarda costeira várias horas após o navio se chocar com a rocha que provocou seu naufrágio, Schettino dá respostas evasivas, sugerindo que não estava no controle da retirada dos ocupantes do navio.
A guarda costeira perguntou ao capitão quantas pessoas ainda estavam a bordo. Embora a embarcação estivesse cheia, o comandante respondeu que apenas entre 200 e 300.
A resposta levantou suspeitas e a guarda costeira perguntou se ele tinha deixado o navio. Schettino teria dito que sim. "O que você está fazendo? Está abandonando o resgate? Capitão, isto é uma ordem, estou no comando agora. Você declarou 'abandonar o navio'", afirma o oficial da guarda costeira a Schettino em determinado momento da conversa.
Ao ouvir do oficial que já havia corpos de mortos encontrados, Schettino pergunta quantos e ouve como resposta: "Isso é para você me dizer. O que você está fazendo? Quer ir para casa?", questiona o interlocutor.
O Costa Concordia naufragou na costa italiana na noite de sexta-feira, com mais de 4,2 mil a bordo, incluindo cerca de mil tripulantes.
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