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domingo, 1 de abril de 2012

2 de abril: Dia de você descobrir o que é o autismo e abraçar esta causa


O Autismo e outros problemas do desenvolvimento e do comportamento são considerados como transtornos, que muitas vezes podem estar ao seu lado ou até mesmo dentro de sua casa. No dia 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, Catanduva, assim como a capital, chama a atenção para este tema pouco conhecido e deixa no ar a pergunta: “Onde estão os autistas do Brasil? E os de Catanduva?


A Prefeitura de Catanduva, em parceria com a Autismo&Realidade – Associação de Estudos e Apoio, irá participar do Dia Internacional da Conscientização do Autismo, amanhã, dia 2 de abril. Para lembrar a data, o município irá iluminar com a luz azul, cor que simboliza o autismo, o viaduto Vereador Ademar Raimundo de Moraes, pontilhão que dá acesso à rodovia de Pindorama.

O viaduto é comumente utilizado em campanhas importantes de Catanduva por estar localizado em ponto estratégico, com bastante movimentação de pedestres e veículos. A ação tem apoio da Coordenadoria de Inclusão Social.

A intenção da campanha é iluminar o maior número de monumentos possíveis, em todo o Brasil, assim como já ocorre em outros países. Ações como estas, segundo a organização, ajudam a divulgar o Transtorno do Autismo que já incide em 1% da população e, ainda assim, é pouco lembrado.

A instituição Autismo & Realidade – Associação de Estudos e Apoio é uma organização sem fins lucrativos, que favorece a busca e a divulgação do Autismo, com o objetivo de melhorar a capacidade de adaptação e qualidade de vida das pessoas com autismo e seus familiares. Representada por Paula Balducci de Oliveira, fundadora da Autismo e Realidade, irá realizar a IIª Corrida e Passeata A&R em São Paulo. O evento espera reunir mais de 3.000 pessoas, deixando a ponte Estaiada repleta de participantes e possíveis defensores da causa. 

“Este ano a organização é para 3.000 pessoas. No ano passado foi para 1.500. Sendo assim, esperamos superar o número de participantes, informar e conscientizar um número ainda maior de pessoas do que no ano passado”, explica Paula. 

CONHEÇA

Sobre a cor azul, Paula Balducci de Oliveira detalha que o Autismo é representado pela cor azul tendo em vista ser mais frequente em meninos. “Utilizando os números mundiais, o autismo afeta 1 a cada 110 crianças, sendo 1 em 70 meninos. A ponte Estaiada foi iluminada na noite do dia 29 de março e permanecerá até o dia 03 de abril”, explica.

Com o evento a instituição quer mobilizar, informar e conscientizar a população e o governo sobre o Autismo. Além da IIª Corrida e Passeata, iluminações em marcos históricos da cidade de São Paulo, como Monumento às Bandeiras e Arcos do Vale do Anhangabaú, serão instaladas. 

Em sua primeira edição o evento contou com a participação de pessoas portadoras de autismo, familiares, amigos e profissionais.

“O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo foi instituído pela ONU em dezembro de 2007, que definiu a data de 2 de abril como Dia Mundial do Autismo, data de conscientização, justamente para informar a sociedade e quebrar tabus, eliminar preconceitos e barreiras. Autismo é um transtorno desconhecido para muitos. A maioria das pessoas não sabe que existe um espectro. Dessa forma o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo busca esclarecer o que vem a ser o Autismo e disseminar informações sobre a importância do diagnóstico e da intervenção precoce”, detalha Paula, que além de membro da A&R é mãe de uma jovem portadora de Autismo.

ESPECIALISTA

Nesta data de conscientização e disseminação de conhecimento a toda a população, aprenda mais sobre o Autismo e fique atento, pois ele pode, sim, estar dentro de sua casa. Recém chegada a Catanduva, Marina Toscano de Oliveira, médica graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, Pós-graduada em Psiquiatria Geral, Psiquiatria da Infância e Adolescência, fala sobre o tema que, pela falta de conhecimento, ainda é um tabu para muitos. 

Além de saber mais sobre o transtorno Autismo, Marina caracteriza a importância da detecção precoce como peça fundamental para uma intervenção bem-sucedida, podendo determinar, inclusive, um prognóstico substancialmente melhor para esta criança. A especialista enfatiza que agindo precocemente, há mais chances de se obter uma maior agilidade na aquisição da linguagem, uma melhora do contato ocular, um padrão mais adaptativo de relações com outras pessoas e uma inclusão escolar mais produtiva.

“Há um consenso na literatura especializada de que a idade média em que os pais expressam suas dúvidas gira em torno dos 17 meses, mas a idade do diagnóstico é bem mais tardia, próxima dos 4 ou 5 anos”, analisa Marina Toscano.

O diagnóstico tardio, segundo a psiquiatra, se deve ao desconhecimento do Autismo por parte, inclusive, de muitos profissionais, uma vez que em muitas faculdades há déficit curricular sobre esse assunto importante.

“Infelizmente, ainda hoje no Brasil, as crianças são encaminhadas tardiamente para a avaliação de especialistas. Esse atraso certamente reduz as chances de uma melhor evolução”, diz. 

PROFISSIONAL 

Um profissional capacitado e especializado é fundamental para a evolução da criança. O Psiquiatra Infantil é um médico especializado em transtornos comportamentais e dedica parte da sua formação no estudo dos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, em que se enquadra o Autismo. Esse profissional tem a capacidade de, através da avaliação da criança e do seu histórico de desenvolvimento, diagnosticar corretamente o transtorno e estabelecer um plano de tratamento, sempre focado na multidisciplinaridade, solicitando a ajuda imprescindível de Psicólogos, Terapeutas Ocupacionais, Psicopedagogos, Fonoaudiólogos, Fisioterapeutas, Educadores Físicos, entre outros profissionais. “Além disso, o psiquiatra muitas vezes indica o uso de medicações que podem ajudar a criança a se desenvolver de forma mais saudável, reduzindo, por exemplo, a sua agitação ou a auto/hetero-agressividade. É bastante comum também essas crianças apresentarem distúrbios do sono e outras comorbidades psiquiátricas, que são igualmente tratadas por esse médico”, detalha a psiquiatra Marina Toscano de Oliveira. 

VOCÊS PODEM!

O transtorno Autismo não pode ser ignorado, porém pode e deve ser entendido. Uma criança portadora de Autismo pode ter uma vida melhor e evoluir como qualquer um. 

“A criança que recebe um tratamento adequado e, principalmente, precoce, tem mais chances de obter sucesso na aquisição de linguagem comunicativa, na inserção no seu meio cultural, bem como na sua família. Pode evoluir de forma favorável, frequentando a escola regular, tendo chances, inclusive, de se alfabetizar. Há casos de autistas que chegaram com sucesso à faculdade e desempenham funções bastante interessantes e específicas”, confessa a especialista. 

Os Transtornos do Espectro Autista interferem diretamente no desenvolvimento da criança, promovendo não só atraso na fala, como na socialização e na aquisição de habilidades motoras. Assim, a falta do tratamento pode prejudicar uma evolução mais favorável e o desenvolvimento certamente se dará de uma forma mais lenta.

SER AUTISTA É...

Em meio a tanta descoberta e novas informações fica a dúvida, mas o que é ser Autistas? Doutora Marina Toscano explica: “Ser autista é ser alguém muito especial. São crianças cujas capacidades muitas vezes nos surpreendem. Podem conquistar objetivos inimagináveis com o apoio dos seus familiares e terapeutas. Há muitos exemplos de autistas de sucesso, que chegaram à faculdade e que tiveram uma carreira brilhante. Um grande exemplo é a norte-americana Temple Grandin, que além de estudiosa do comportamento animal, profere palestras sobre o tema do Autismo pelo mundo afora”.

APAE 

Neste domingo, 1º de abril, a APAE irá realizar celebração de uma missa em ação de graças na igreja Santa Rita de Cássia, às 18 horas. Na segunda, dia 2 de abril, haverá um café da manhã especial com os alunos e pais destes, gincana na quadra poliesportiva, além de orientação aos pais.

“Hoje já temos alguns médicos que fazem este diagnóstico. A demora no processo de diagnóstico e a não aceitação familiar são prejudiciais ao tratamento”, aponta a coordenadora Pedagógica da APAE e do Autismo, lembrando que a APAE hoje atende 46 portadores de Autismo.

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