Bactérias podem ter feito matança em hospital do Rio de Janeiro
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| Bruno Domingos/ReutersDejectos poderão ter contaminado o oxigénio consumido pelos pacientes |
Bactérias provenientes de vómitos e secreções de pacientes graves ligados a respiradores artificiais podem ter provocado uma enorme matança num dos principais hospitais públicos da cidade brasileira do Rio de Janeiro. Essa é a principal linha de investigação do Ministério Público carioca, que está a apurar centenas de mortes ocorridas no Hospital Municipal Salgado Filho, no bairro do Meier, ocorridas em 2010 mas só agora totalmente computadas e sob suspeita.
Os promotores estão a analisar as mortes de 363 pacientes ocorridas naquele ano no serviço de emergência do hospital e outras 86 que ocorreram no Centro de Tratamento Intensivo. Entre todos esses óbitos, um facto em comum: todos os pacientes estavam ligados a respiradores artificiais.
De acordo com um dossier entregue por funcionários do Salgado Filho ao Ministério Público, nessa época o compressor de ar comprimido que enviava oxigénio para os pacientes ficava na mesma área onde eram depositados os dejectos e secreções expelidos por pacientes graves.
A suspeita principal dos promotores é que a proximidade entre esses resíduos e o compressor que fornecia o oxigénio tenha contaminado o equipamento e provocado os óbitos, em número muito superior ao que é considerado aceitável num hospital.
No caso do serviço de emergência, o número de pacientes mortos corresponde a mais de 42 por cento, e, no caso do CTI, a 30 por cento das pessoas que ali foram internadas.
O número aceitável num hospital, onde o índice de contaminação deveria ser próximo de zero, no entanto, é de apenas cinco por cento, de acordo com um especialista na área, o biofísico e biométrico Sebastião David dos Santos Filho, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

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