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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Inclusão

Autismo, com informação e sem preconceito

Por Fernando de Santis 

Hoje, 2 de abril, é o Dia Mundial de Consciência sobre o Autismo. Dia para tentar incluir aproximadamente 2 milhões de brasileiros, que de alguma forma são portadores desta síndrome. E a conscientização começou neste domingo, na Praça das Bandeiras, em Santos, quando cerca de 150 parentes de autistas se mobilizaram pela causa.

Para a maioria das pessoas – médicos, inclusive – autismo é uma síndrome com difícil diagnóstico. Ana Lucia Felix, santista e mãe de um autista de 14 anos, Carlos Alberto, conta que procurou oito pediatras, cinco psicólogos e dois neurologistas para tentar entender o porque de seu filho, na época com 4 anos, recusar alimentação. 

"Disseram que ele era mimado, que tinha pais velhos e que eu não sabia dar comida, antes que fosse diagnosticado o autismo”, conta ela. Pensando em evitar esse tipo de desgaste – para os pais e principalmente para os filhos – ela se uniu no Facebook a outras quatro mães de portadores da síndrome: Eliana Pereira, Rosana Vicente, Jane Galdino e Abigail Bueno. Trabalhando em conjunto, em 20 dias, elas conseguiram mobilizar mais de 150 pessoas em torno de um objetivo comum: conscientizar não só os parentes de autistas, mas toda a comunidade. 

Partiu dos encontros do grupo, que passou a se chamar Acolhe Autismo, a iniciativa da mobilização de ontem, cujo objetivo foi distribuir folhetos e informações sobre a síndrome. O trabalho de conscientização continua hoje às 15horas, no mesmo local.

A jornalista Carla Zomignani, mãe de uma adolescente autista, comenta que cada criança apresenta um comportamento diferente da outra. 

Sua filha de 17 anos, por exemplo, é exímia em interpretar ritmos e dançar. Mas tem dificuldades em entender números e letras. “Não é um conteúdo prático, ela não entende o significado, a aplicação daquilo”.

Pessoas autistas sentem o mundo de forma diferente da maioria das outras pessoas. Para elas, é difícil interagir e se expressar com palavras. Muitas pessoas discriminam os portadores da síndrome, tachando-os de birrentos ou mal educados, segundo Abigail Bueno. 
A birra é uma característica do autista, assim como a tendência ao isolamento e as “manias” individuais. Abigail conta que seu sonho é que as pessoas consigam identificar os autistas e passem a tratá-los com respeito. Para ela, um grande aliado neste trabalho é o quadrinista Maurício de Souza, que criou um personagem autista, o André. 

“André pode ajudar muito as famílias de autistas que não conhecem a síndrome e seus sinais”.

Como são os autistas:
 

Os autistas compreendem  as coisas no sentido literal

Eles geralmente não gostam de mudanças, seja na rotina ou no ambiente

Com frequência se isolam, principalmente de outras  crianças

Costumam gostar de objetos que giram

Às vezes parecem não  escutar

Podem não demonstrar  medo de coisas potencialmente perigosas

Gostam de ficar se balançando ou mexendo com as mãos,  como se fossem voar

Podem se irritar com coisas aparentemente insignificantes

Embora pareçam  indiferentes, são sensíveis  e respondem – a seu modo – ao afeto

Fonte: Altamir e Eliane do Carmo Meira, pais de Matheus, de 14 anos, autista

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